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SaaS & Produtos

Assinatura recorrente no Brasil: Pix, cartão e o que nem todo gateway faz

Montamos cobrança recorrente para produtos no Brasil e nos Estados Unidos. O que aprendemos escolhendo gateway, preço e forma de pagamento.

Quem desenvolve um SaaS pensa em funcionalidade. Quem vende um SaaS descobre que metade do trabalho é cobrar. E no Brasil, cobrar recorrente tem particularidades que os tutoriais em inglês não mencionam.

Pix muda a conversa

Parte grande do público brasileiro prefere Pix a cartão, e uma parte não tem cartão com limite disponível para mais uma assinatura. Oferecer só cartão é perder venda. Por isso, nos produtos que colocamos no ar aqui, a cobrança aceita Pix e cartão desde o primeiro dia.

Mas nem todo gateway internacional oferece Pix recorrente, e alguns que operam no Brasil não cobram em moeda estrangeira. Quando um produto nosso começou a vender também nos Estados Unidos, a solução foi separar: um gateway nacional para o Brasil, com Pix e cartão, e, para o exterior, um parceiro que cobra como vendedor responsável naquele mercado. Tentar fazer tudo num só lugar teria limitado os dois mercados.

O plano é parte do produto

Duas lições de precificação vieram dos números de uso. A primeira: teste grátis nem sempre ajuda. Em um dos nossos apps, o usuário vê o produto funcionando com os próprios dados antes de pagar — e paga para continuar usando. Isso substituiu o teste grátis com mais clareza para os dois lados.

A segunda: o perfil de uso define a recorrência. Um app de cuidado com remédios de pet tem dois públicos — quem trata algo pontual, que usa por um mês e sai, e quem cuida de um animal com doença crônica, que fica por anos. Comunicar para o segundo grupo mudou a forma de vender.

Detalhes que evitam dor de cabeça

Guarde o vínculo entre a assinatura no gateway e o cliente no seu banco desde o início; reconstruir isso depois é trabalho manual. Trate o aviso de pagamento (webhook) como algo que pode chegar duplicado, atrasado ou sem algum campo. E nunca deixe o aplicativo conceder acesso com base em algo que o próprio usuário pode alterar — o acesso nasce do aviso confirmado pelo gateway.

Cobrança é a parte do produto que ninguém vê quando funciona e todo mundo vê quando falha. Vale tratá-la com o mesmo cuidado do resto.